terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estudantes de colégio estadual participam de Oficina de Imprensa


Os alunos puderam conhecer um pouco do que é o jornalismo, do texto jornalístico e tiveram contato com profissionais da área

Alguns dos estudantes que participaram da Oficina de Imprensa
De setembro a novembro, alunos do ensino médio do Colégio Estadual Professora Lúcia Barros Lisboa, localizado na região norte de Londrina, participaram de Oficina de Imprensa como atividade extracurricular, com a jornalista e professora de Filosofia, Sônia Lenira Nunes de Carvalho e a repórter fotográfica Vivian Honorato. As aulas ocorreram uma vez por semana, no período noturno.

Durante as aulas, os estudantes puderam conhecer um pouco do que é o jornalismo, como é o texto jornalístico e tiveram contato com profissionais da área, Rafael Machado, da rádio Brasil Sul e Reinaldo Zanardi, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Como produto final eles fizeram textos e fotos com o tema preconceito racial. Para isso, entrevistaram profissionais, na maioria negros, que falaram um pouco sobre o tema. Três estudantes foram recebidos pelo prefeito de Londrina, Gerson Araujo, quando foram fazer entrevistas na Prefeitura de Londrina.

A iniciativa foi da professora de Filosofia do Colégio Lúcia Barros, Sônia Lenira, que contou com apoio da direção e da equipe pedagógica. Ela é formada em jornalismo e Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com especialização em História e Filosofia da Ciência e também em Assessoria de Imprensa. Além de ser professora no Estado, desde o começo de 2012, atua como jornalista na Prefeitura de Londrina.

Sônia Lenira contou que já havia desenvolvido um projeto semelhante, pela prefeitura, com idosos e acreditou que poderia fazer algo semelhante na escola. Ao dar aulas para o ensino médio, pensou que seus alunos mereciam conhecer novas formas de texto, para desenvolver senso crítico e estimular a leitura. Ela considerou uma experiência gratificante, pois encontrou potencial em alguns alunos que no cotidiano, de suas aulas, ainda não tinham se manifestado.

A professora pensa que, apesar do bom resultado, o trabalho poderia ter sido ainda mais produtivo, se tivesse mais tempo e se pudesse ofertar a oficina no horário que os alunos estudam. Considera que o trabalho valeu muito a pena pela participação dos alunos e pelo apoio da escola. Ela afirmou que, sem dúvida, faria de novo. “Eu parabenizo a todos que participaram, pois é muito valioso querer mais, buscar e estar disposto a aprender”, concluiu.

A jornalista Vivian Honorato que participou, volutariamente, da Oficina ensinando técnicas de fotografias, é formada em jornalismo pela UNOPAR , trabalha na Prefeitura de Londrina e atua na área em diferentes eventos da cidade. Ela contou que aceitou realizar este trabalho porque gosta de ministrar aulas e acha interessante levar seu conhecimento acadêmico e prático para as escolas. “Aceitei fazer esse trabalho porque fui chamada a dar aulas de fotojornalismo que é uma coisa que amo fazer”, contou. Ela disse que notou que os alunos, que realmente se interessaram e participaram das aulas, demonstraram aprendizado.
Em 2010, Vivian já havia participado de um projeto assim na Guarda Mirim, onde trabalhou jornalismo impresso, entre outros temas. Foi um projeto de extensão da Universidade, na matéria de Comunicação Comunitária.

Opiniões

A estudante do segundo ano do colégio, Milena Chagas Souza, 15 anos, contou que se interessou pelo projeto porque sempre teve interesse pelo jornalismo, e pensou que poderia se aperfeiçoar. Afirmou que isso ajudou a superar mais sua timidez e “abrir” sua mente para a sociedade.

Bárbara Hispagnol Moreira, 15 anos, estudante do primeiro ano, disse que o projeto ajudou a aprender a tirar fotos, criar melhores textos e ter um lado mais crítico sobre as coisas.

Assim também pensa Geovana dos Santos Rodrigues, 14 anos, que também estuda no primeiro ano. Ela começou a ir para conhecer o projeto e foi se interessando por aprender a tirar fotos. “Ajudou-me a me interessar por leituras e agora estou tendo mais ideias para escrever”, afirmou.

Vitor Glayson da Silva de Oliveira, 14 anos, que também estuda no primeiro ano, disse que se interessou pelo projeto por julgar ser bom para sua educação e por desenvolver seus conhecimentos. “Ajudou no cotidiano, no colégio, com meus amigos, familiares, e auxiliou muito no meu vocabulário.”

O estudante e empacotador em supermercado, Luiz Guilherme, 18 anos, que também cursa o primeiro ano, contou que se interessou, começou a ir e notou que a Oficina ajudou a escrever e pensar melhor, interpretar textos de forma correta e fazer melhores críticas. “Ajudou na escola, eu não sabia interpretar textos, falar corretamente e pensar melhor sobre as coisas.” Ele ainda disse que este tipo de trabalho na escola é muito importante para novos aprendizados e sair um pouco do cotidiano.

Texto: Jon Eslen Amorim da Silva e Beatriz Zambonini
Foto: Vivian Honorato

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Professora afirma que ainda existe preconceito


Jociane Francisca Pereira é formada em história e direito. Atua como professora há 13 anos em escolas públicas. Ela começou em 2000 na virada do milênio como professora de 1ª a 4ª série numa escola municipal. Cursou história entre 1995 e 1998, fez pós-graduação em 1999 e o concluiu direito em 2008. Ela afirma que não sofreu preconceito racial de forma direta, mas que ainda existe preconceito no Brasil. A professora falou sobre o tema em entrevista a estudantes da Oficina de Imprensa.

Oficina-O Brasil é um país racista?
Professora
- Sim, ainda tem racismo no Brasil.
Oficina- De onde vem o nosso preconceito na história?
Professora -Da falta de capacidade de convivência e de tolerância.
Oficina- Qual a diferença entre o preconceito racial do Brasil de outros países?
Professora- Aqui no Brasil todos falam que não têm preconceito e em outros países, como os Estados Unidos, assumem o preconceito. Mesmo assim, já houve a diminuição do preconceito.
Oficina- Qual a diferença entre a escravidão no Brasil e outros tipos de escravidão?
Professora -Eles eram traficados para o Brasil e não podiam ter religião e eram obrigados a praticar outras religiões, mas eles driblavam e conseguiam continuar com suas religiões. Na antiguidade, nos outros países podiam ter seus bens naturais e viverem melhor.
Oficina- Porque os negros demoraram tanto para serem libertos no Brasil?
Professora -O Brasil foi um dos últimos a libertar os escravos e mesmo assim o fizeram porque sofreram uma pressão da Inglaterra. Os escravos trabalhavam sem receber dinheiro algum, então quando a Inglaterra exportava algumas coisas para o Brasil não vendia porque a maioria eram escravos. A escravidão existiu mais ou menos de 1530 até 1888.
Oficina- Já que nosso tema central é o preconceito racial, é interessante perguntar a todos se já passaram por algum tipo de preconceito, se enfrentaram alguma dificuldade pelo caminho. Você tem algo a dizer sobre isso?
Professora - Não passei por preconceito racial direto, não fui impedida de fazer algo por causa da cor, mas às vezes não era o preconceito das escolas e sim de algumas pessoas que achavam que eu não tinha capacidade de ser professora. Uma vez fui parada na rua por uma pessoa, quando eu saia da escola e uma mulher perguntou se eu era a nova zeladora. Percebi que fui identificada como a zeladora por causa da cor.
Tem gente que acha que os negros não têm capacidade para ter um bom emprego, e tem gente que pensa que negros só têm capacidade de fazer trabalho braçal. Não ia ser ruim se eu fosse zeladora, faria tudo para deixar a escola limpa.
Oficina- Há outro caso de preconceito que você lembre.
Professora- Teve preconceito com o meupai que tocava em uma banda de carnaval, um dia foi tocar em uma festa mas foi barrado porque lá não entravam negros.
Texto e fotos: Heitor Julio dos Santos e Giovana Santos Rodrigues.
Estudantes do primeiro ano do ensino médio.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“Adianta ser livre de uma realidade, mas preso em outra?”


A pergunta é de Juliana Barbosa, negra, doutoranda que venceu todas as barreiras de um possível preconceito

Juliana dos Santos Barbosa, estudou na Universidade Estadual de Londrina (UEL), é formada em comunicação, especialista em Comunicação Empresarial, mestre em Estudos da Linguagem e doutoranda da mesma área. Na Prefeitura de Londrina atua como relações públicas e é uma das responsáveis pela parte do cerimonial para o prefeito.

Realiza na rádio UEL um programa sobre o samba, assunto de seu doutorado e explica que ele existe independente do carnaval. “Convidaram-me porque sabiam que eu gostava de samba, é o gênero musical que mais gosto. Eu nasci no Rio de Janeiro, por isso tenho essa ligação mais forte”, contou Juliana Barbosa.

De acordo com ela, o samba tem origem negra, mas isso não quer dizer que seja estritamente negro. “É uma mistura de todos os ritmos que já havia no Brasil, antes da chegada dos negros, como o português, mas o principal elemento de origem do samba é a cultura africana.”

Juliana afirmou ter sofrido preconceito, e conta uma vez quando foi visitar a avó, por ser na área central de Londrina, não a deixaram subir por um elevador, porque os empregados só podiam subir pelo elevador dos fundos. “Ao chegar lá não fui reconhecida como uma pessoa que podia estar ali visitando um parente, só podia ser empregada”, contou.

Para analisar o preconceito, ela compara a situação racial atual com um congresso de médicos. “Vai a um congresso de médicos. Todos da cidade. Quantos negros vão ter lá?”, questiona a doutoranda.   Ela culpa um sistema maior pelo racismo, que trouxe o negro escravizado e não se preocupou com ele.

Ela é a favor da reparação com os negros de quando foram libertados e questiona se adiantou  ser livre de algo e ser preso a outro. “Tem até um samba assim, e eu gosto muito: ‘livre do açoite da senzala, mas preso na miséria da favela’. Portanto acho essa frase bem importante”.

Já em relação a quem é racista e a quem sofre esse racismo, ela diz ser direta. “Para o racista eu diria que o racismo é uma forma de ignorância, e para acabar com isso é preciso rever a história, conhecê-la. Já para quem sofre esse racismo diria que hoje temos o Conselho da Igualdade Racial, e que não ceda a essas pressões”.

Juliana se considera um exemplo, já sofreu discriminação e estudou em escola pública. “Imagine, pobre, só tive acesso a escola pública, mulher e negra. Em que pesa tudo isso, estabeleci os meus objetivos.”

Texto e foto: Anne Carollyne Ferreira Silva, Beatriz Raitz da Silva e Jon Eslen Amorim da Silva.
Todos estudantes do primeiro ano do ensino médio.

“Negros vivem numa sociedade racista”


A frase é  de  Maria de Lurdes de Jesus, que já integrou um grupo que defendia o direito dos negros

Ao participar de um grupo que defendia os direitos e a cultura dos negros, Maria de Lurdes de Jesus, 47 anos, mesmo sendo negra, descobriu coisas da raça que ela não sabia, incluindo fatos sobre o modo de viver. Ela contou que o grupo chegou ao fim porque os companheiros tinham ideias contrárias sobre o tema,mesmo todos sendo negros. O objetivo dela é promover outro grupo em breve.

Maria de Lurdes  contou que durante sua infância sofreu muito preconceito, como não poder hastear a bandeira; nas aulas de educação física só podia participar em último caso, e por causa do seu cabelo recebia apelidos maldosos.
 
Hoje trabalha como agente educacional no Colégio Estadual Professora Lúcia Barros Lisboa. No local já promoveu desfiles no dia da consciência negra para mostrar um pouco da cultura afro. Ela quer mostrar que não há um ou dois negros, mas sim milhares.

Alegre ela conta que pensava que sua filha iria se casar com outra cultura, mas no ano que vem ela se casa com um angolano. “Vai continuar sua cultura, pois ela é neta de escravos”, disse a agente educacional.
 
Ao falar de preconceito, ela diz que os negros vivem numa sociedade racista. Mas, ela faz um questionamento.”Se as pessoas adoram uma santa negra,por que são tão racistas?"

Texto e fotos: Bárbara Chiqueto Pereira – 16 anos e Tainá Karoline Peixono- 15 anos. Ambas são estudantes do primeiro ano.