A pergunta é de Juliana Barbosa, negra, doutoranda que venceu todas as
barreiras de um possível preconceito
Juliana dos Santos Barbosa, estudou
na Universidade Estadual de Londrina (UEL), é formada em comunicação, especialista
em Comunicação Empresarial, mestre em Estudos da Linguagem e doutoranda da
mesma área. Na Prefeitura de Londrina atua como relações públicas e é uma das
responsáveis pela parte do cerimonial para o prefeito.
Realiza na rádio UEL um
programa sobre o samba, assunto de seu doutorado e explica que ele existe
independente do carnaval. “Convidaram-me porque sabiam que eu gostava de samba,
é o gênero musical que mais gosto. Eu nasci no Rio de Janeiro, por isso tenho
essa ligação mais forte”, contou Juliana Barbosa.
De acordo com ela, o samba tem
origem negra, mas isso não quer dizer que seja estritamente negro. “É uma
mistura de todos os ritmos que já havia no Brasil, antes da chegada dos negros,
como o português, mas o principal elemento de origem do samba é a cultura
africana.”
Juliana afirmou ter sofrido
preconceito, e conta uma vez quando foi visitar a avó, por ser na área central
de Londrina, não a deixaram subir por um elevador, porque os empregados só
podiam subir pelo elevador dos fundos. “Ao chegar lá não fui reconhecida como
uma pessoa que podia estar ali visitando um parente, só podia ser empregada”,
contou.
Para analisar o preconceito,
ela compara a situação racial atual com um congresso de médicos. “Vai a um congresso
de médicos. Todos da cidade. Quantos negros vão ter lá?”, questiona a
doutoranda. Ela culpa um sistema maior pelo racismo, que
trouxe o negro escravizado e não se preocupou com ele.
Ela é a favor da reparação com
os negros de quando foram libertados e questiona se adiantou ser livre de algo e ser preso a outro. “Tem
até um samba assim, e eu gosto muito: ‘livre do açoite da senzala, mas preso na
miséria da favela’. Portanto acho essa frase bem importante”.
Já em relação a quem é racista
e a quem sofre esse racismo, ela diz ser direta. “Para o racista eu diria que o
racismo é uma forma de ignorância, e para acabar com isso é preciso rever a
história, conhecê-la. Já para quem sofre esse racismo diria que hoje temos o Conselho
da Igualdade Racial, e que não ceda a essas pressões”.
Juliana se considera um
exemplo, já sofreu discriminação e estudou em escola pública. “Imagine, pobre,
só tive acesso a escola pública, mulher e negra. Em que pesa tudo isso,
estabeleci os meus objetivos.”
Texto e foto: Anne Carollyne Ferreira Silva, Beatriz Raitz da Silva e Jon Eslen Amorim da Silva.
Todos estudantes do primeiro ano do ensino médio.

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